A coleção Cardeais do Samba Paulista é uma iniciativa coordenada pela Editora Dandara em parceria com a Iniciativa Negra e conta com o apoio da emenda parlamentar destinada pela Deputada Estadual Ediane Maria, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, Mocidade Unida da Mooca (MUM) e Departamento de Velhas Guardas da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo.
O evento de lançamento da Coleção Cardeais foi realizado no dia 18 de maio de 2026 na Fábrica do Samba – Espaço Cultural.
No formato de livros de bolso, a coletânea situa as trajetórias de Inocêncio Tobias, Pé Rachado, Madrinha Eunice, Nenê de Vila Matilde e Carlão do Peruche, figuras consideradas pilares do samba paulistano. Destaca a vida desses artistas no contexto histórico da formação das escolas de samba, fato que conferiu a eles o título de “cardeais”, homenagem simbólica por seu papel central na organização, preservação e transmissão de tradições culturais dentro das comunidades do samba.
Coleção Cardeais do Samba Paulista
As escolas de samba em São Paulo são herdeiras dos primeiros cordões carnavalescos que emergiram no início do século XX, nos chamados “territórios negros” da cidade, zonas de rica cultura africana delineadas por experiências compartilhadas e laços comunitários profundos. Eram alguns bairros centrais com características de baixada, como Barra Funda, Bixiga e Glicério, na Liberdade, e posteriormente regiões das zonas norte e leste, como Parque Peruche, Penha e Vila Matilde. Esses territórios se transformaram com a mediação das agremiações carnavalescas em núcleos de prática e vivência, onde afrodescendentes reafirmaram suas identidades culturais em um espaço urbano intrinsecamente desigual.
No final da década de 1960, houve um movimento de articulação dos futuros “cardeais”, o que deu às lideranças das escolas de samba condições de participar do processo de oficialização do festejo na cidade, mediando as relações entre as escolas de samba e o poder público.
Lideranças negras, como Seu Carlão, Pé Rachado, Seu Nenê de Vila Matilde, Inocêncio Tobias e Madrinha Eunice, receberam o título ao representar suas escolas mas além disso, por levantarem bandeiras que, historicamente, o movimento negro iria defender, de maneira mais veemente, apenas no final da década de 1970. Esses sambistas tinham o objetivo de lutar não apenas pela igualdade racial, mas também por uma sociedade fundamentalmente igualitária. Com esse movimento, cumpriram um importante papel de aglutinador popular dentro dos bairros periféricos da cidade.
A Coleção não será comercializada, mas pode ser baixada, em formato digital, gratuitamente, no site da Iniciativa Negra.








