Descrição

O livro organizado por Renata Souza, Lilian Angélica Souza e Isabela Amaral não se limitará a descrever a violência: ele a insere em uma longa duração histórica. O feminicídio político, como aqui se argumenta, não pode ser compreendido sem que se leve em conta a herança da escravidão, do colonialismo e do patriarcado na formação social brasileira. A violência que hoje se manifesta nos espaços institucionais é, em muitos sentidos, o passado-presente de uma ordem que sempre operou pela exclusão, pela hierarquização e pelo controle dos corpos, sobretudo os corpos das mulheres. Como sugere uma das reflexões centrais da obra, o Brasil nunca foi plenamente um país de todos — e essa exclusão tem cor, gênero e território.

Este livro é um gesto de enfrentamento. Ele se inscreve em uma tradição de pensamento crítico que recusa a naturalização da violência e que insiste na possibilidade de construir outros horizontes. Ao fazê-lo, convoca-nos a uma tarefa dupla que é, ao mesmo tempo, ética e política: a de lembrar e, ao mesmo tempo, não desviar o olhar“. Ynaê Lopes dos Santos

A rosa que irrompe revela a vida que tentaram cimentar, anunciando que é preciso extrapolar o supostamente impenetrável. A rosa – ou os girassóis, no nosso caso – nos lembra que as utopias são tão fortes quanto o mais puro concreto. Se o fascismo precisa do estéril, da necropolítica, para aniquilar o futuro antes mesmo da morte factual, as utopias precisam da vida em suas múltiplas esferas: maternidade, segurança, cultura, educação, meio ambiente, política, esporte, memória. Eis o que esta obra nos oferece: descortinar a violência política de gênero e raça, através da lente do feminicídio político, para fundar novos caminhos para a democracia brasileira“.  Anielle Franco

E aqui, nesta obra, ao alinhavarmos trajetórias de mulheres interrompidas, entendemos que feminicídio político é um conceito que não se limita apenas à morte física de mulheres que ocupam ou tentam ocupar espaços de poder; ele engloba também o feminicídio simbólico, que consiste na tentativa de apagar as mulheres da construção de sentidos públicos, na destruição de sua memória e na invisibilidade sistemática dentro de instituições“. Fernanda Chaves

Organizadoras
Renata Souza – Deputada Estadual e presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Jornalista formada pela PUC-Rio; Mestre e doutora em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ; fez pós-doutorado pela UFF, trabalhando o conceito de feminicídio político.

Lilian Angélica Souza – Professora da Escola de Serviço Social da UFRJ, na graduação e no PPGSS; Formada em Serviço Social e em Psicologia pela PUC-Rio; Doutora em Políticas Públicas e Formação Humana e mestre em Serviço Social pela UERJ; Pós-doutoranda em História pela UFF; Mãe-Cientista FAPERJ.

Isabela Amaral – Professora substituta de Direito Constitucional e Direito Ambiental da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ; Doutora e mestre em Direito Público pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da UERJ; Advogada e assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Ficha Técnica
Organizadoras: Renata Souza, Lilian Angélica Souza e Isabela Amaral
Prefácio: Ynaê Lopes dos Santos
Orelha: Anielle Franco
4ª Capa: Fernanda Chaves
Edição: 1ª Editora Dandara
Formato: 16 x 23
Páginas: 294
Ano de Publicação: 2026
Encadernação: Brochura
ISBN: 978-65-88586-77-8

Autoras
Alice Vieira Lima Cavalcante
Aline Vaz
Andrea Medrado
Andressa Brito Vieira
Brisa Lima da Silva
Cristiane Brandão Augusto
Denize de Aguiar Xavier Sepúlveda
Fernanda Andrade Almeida
Francielle Czarneski
Gláucia Lelis Alves
Gracielle Almeida de Aguiar
Isabela Amaral
Jana Gonçalves Zappe
Letícia Alonso do Espírito Santo
Lilian Angélica da Silva Souza
Luana de Souza Siqueira
Maria Clara Andrade Gonçalves
Maria Helena Zamora
Mariana dos Reis Santos
Mariana Trotta D. Quintans
Meiridiane Domingues de Deus
Monique Paulla
Pâmela Roberta Lamim Fusco
Renata Souza
Samantha Dantas de França
Tatiana Machiavelli Carmo Souza
Twig Santos Lopes